Agosto Lilás + Dourado: Grupo Atem promove debate sobre cuidado e proteção às mulheres

sexta-feira, 28 de agosto de 2026 - Por

Informação, acolhimento e uma rede de apoio presente podem fazer diferença tanto para mulheres em situação de violência quanto para mães que enfrentam os desafios da amamentação. Os dois temas estiveram no centro do encontro Agosto Lilás + Dourado, promovido pelo Grupo Atem, em Manaus, como parte das ações do programa Atem Vida e Saúde – voltado à saúde e bem-estar dos colaboradores – e do programa Diversos, Notáveis e Admiráveis (DNA), voltado a ações de diversidade.

Realizado no dia 27 de agosto, o encontro reuniu a pediatra Rossiclei de Souza Pinheiro, professora de Saúde da Criança da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria, e a delegada Patrícia Leão, titular da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher da Zona Centro-Sul.

As duas campanhas que deram origem à programação tratam de questões distintas, mas encontram um ponto em comum: a necessidade de uma rede de apoio. O Agosto Dourado promove a conscientização sobre a importância do aleitamento materno, enquanto o Agosto Lilás concentra ações de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher.

Na abertura, o CEO do Grupo Atem, Fernando Aguiar, ressaltou a importância de trazer assuntos que fazem parte da vida dos colaboradores para dentro do ambiente corporativo. Para ele, falar sobre amamentação e violência contra a mulher é também uma forma de valorizar as mulheres, fortalecer as famílias e contribuir para relações mais saudáveis.

“Falar sobre amamentação e violência contra a mulher é, antes de tudo, falar sobre cuidado, respeito e apoio. São temas diferentes, mas que mostram como uma rede preparada pode fazer diferença na vida das pessoas. Como empresa, queremos contribuir para levar informação, fortalecer relações mais saudáveis e criar um ambiente em que nossos colaboradores saibam que não estão sozinhos”, afirmou Aguiar.

 Amamentação também é responsabilidade coletiva 

Com mais de 30 anos de experiência em Pediatria, Rossiclei de Souza Pinheiro chamou a atenção para um aspecto que muitas vezes fica em segundo plano quando se fala em aleitamento: a mulher não deve ser a única responsável por criar as condições necessárias para amamentar. Família, companheiro, profissionais de saúde e ambiente de trabalho fazem parte dessa rede de apoio.

“A amamentação não pode ser vista como uma responsabilidade exclusiva da mulher. Para que ela consiga amamentar, precisa encontrar apoio dentro de casa, nos serviços de saúde, na família e também no ambiente de trabalho. Quanto mais preparada estiver essa rede, melhores serão as condições para a mãe e para o bebê”, destacou Rossiclei.

Entre os pontos abordados pela pediatra estiveram a importância da amamentação em livre demanda, respeitando as necessidades do bebê, e da chamada golden hour, primeira hora após o nascimento, quando o contato entre mãe e bebê pode favorecer o início da amamentação. A especialista também falou sobre o retorno ao trabalho e a importância de as empresas oferecerem condições para que a mulher possa continuar amamentando, como espaços adequados para retirada e armazenamento do leite.

Ao falar sobre a participação masculina, Rossiclei resumiu a importância do apoio familiar em uma frase: “O pai também amamenta”. Segundo ela, o envolvimento paterno passa por dividir responsabilidades e criar condições para que a mulher possa se dedicar à amamentação. A especialista também incentivou o engajamento em campanhas de doação de leite humano e de arrecadação de frascos utilizados pelos bancos de leite.

“O pai amamenta quando apoia, divide responsabilidades e cria condições para que a mulher possa se dedicar à amamentação. A rede precisa entender que esse cuidado não é somente da mãe”, completou.

Violência contra a mulher nem sempre deixa marcas visíveis 

Na segunda parte do encontro, a delegada Patrícia Leão abordou as diferentes formas de violência contra a mulher e chamou a atenção para comportamentos abusivos que muitas vezes são naturalizados ou não reconhecidos como violência. Ao relembrar a trajetória de Maria da Penha Maia Fernandes, destacou também a importância da Lei Maria da Penha, que completa 20 anos em agosto, na proteção às mulheres e no enfrentamento à violência doméstica.

Segundo Patrícia, a violência não se resume à agressão física e pode envolver controle financeiro, impedimento para trabalhar ou estudar, isolamento de familiares e amigos, humilhações, ameaças e controle dos relacionamentos. A delegada também destacou que comportamentos machistas e relações marcadas pela desigualdade podem contribuir para a manutenção dessas situações.

“Muitas mulheres ainda pensam primeiro na agressão física quando falamos em violência doméstica. Mas controlar o dinheiro, impedir a mulher de trabalhar ou estudar, afastá-la dos amigos e da família, humilhar, ameaçar e controlar seus relacionamentos também são formas de violência. É importante conhecer esses sinais para conseguir identificá-los”, alertou Patrícia.

Durante a palestra, foram apresentadas diferentes formas de violência como física, psicológica, moral, sexual e patrimonial, além de situações praticadas por meios digitais e da chamada violência vicária, quando terceiros, inclusive filhos, podem ser utilizados para atingir emocionalmente a mulher. Patrícia também explicou o ciclo da violência e reforçou a importância de buscar ajuda o quanto antes.

“Quanto mais cedo a mulher consegue reconhecer que está vivendo uma situação de violência e procurar ajuda, maiores são as possibilidades de romper esse ciclo. Ela precisa saber que existe uma rede preparada para orientar, acolher e proteger”, reforçou.

Mais de 45 mil atendimentos pela Ronda Maria da Penha

A importância dessa rede de proteção também foi destacada pela Ronda Maria da Penha, que participou do encontro. Segundo os dados apresentados na programação, o serviço já ultrapassou 45 mil atendimentos. A subcomandante da Ronda Maria da Penha, tenente Jhoycynnara Fernandes, informou ainda que, entre as mulheres que aceitaram o acompanhamento do programa, não houve registro de feminicídio durante o período de monitoramento.

“Já são mais de 45 mil atendimentos e, entre as mulheres que aceitaram o acompanhamento da Ronda Maria da Penha, registramos zero feminicídio durante esse acompanhamento. A viatura monitora essas mulheres e integra uma rede de proteção que pode ajudá-las a romper o ciclo da violência”, informou.

Durante o encontro, também foram reforçados os canais de atendimento. Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190. O Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, recebe denúncias e oferece orientações sobre direitos e serviços da rede de atendimento.

Ambiente de trabalho pode ser espaço de acolhimento

Para a psicóloga do Grupo Atem e coordenadora do programa Vida Atem e Saúde, Tatiana Nogueira, levar temas como violência contra a mulher e amamentação para o ambiente profissional amplia o acesso à informação e pode ajudar os colaboradores a reconhecer situações que muitas vezes ficam restritas à vida privada. Ela destacou ainda que fatores como a dependência emocional podem dificultar o rompimento de relacionamentos violentos, tornando o acolhimento e a rede de apoio fundamentais.

“Promover encontros como esse sempre foi intenção do grupo porque verdadeiramente entendemos que nossos colaboradores não são números, somos pessoas. Momentos como esse promovem conhecimento, interação e sensibilização sobre temas extremamente importantes e relevantes que, enquanto sociedade, precisamos repensar”, afirmou Tatiana.

Segundo a psicóloga, o cuidado também precisa considerar a vida que existe fora da empresa. “Para ele estar inteiro na empresa, ele precisa ter para onde voltar”, disse. Tatiana também destacou que momentos de informação e escuta podem ajudar as pessoas a perceber situações que estavam sendo negligenciadas e buscar apoio. 

Ao reunir o aleitamento materno e o enfrentamento à violência contra a mulher, o evento reforçou a importância de uma rede de apoio preparada para acolher, orientar e ajudar. Seja para uma mãe que precisa de condições para continuar amamentando ou para uma mulher que busca romper uma situação de violência, informação e apoio podem ser o primeiro passo para uma mudança.